Filho de Khamenei sobrevive a ataques dos EUA e de Israel, diz agência

Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei e candidato a novo líder supremo do Irã. Foto de 2019.
AP Photo/Vahid Salemi/File
Mojtaba Khamenei sobreviveu a bombardeios realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã que mataram seu pai, o aiatolá e líder supremo iraniano Ali Khamenei, e diversas outras autoridades de alto escalão do governo iraniano. A informação foi revelada por duas fontes do país à agência de notícias Reuters nesta quarta-feira (4).
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Segundo a Reuters, Mojtaba é visto dentro do governo iraniano como um possível sucessor a seu pai no cargo de líder supremo.
“Ele (Mojtaba) está vivo. Ele não estava em Teerã quando o líder supremo foi morto”, disse à Reuters uma das fontes iranianas.
A notícia de que Mojtaba Khamenei está vivo ocorreu pouco antes da Assembleia de Especialistas do Irã, composta por 88 aiatolás, ter dito na manhã desta quarta-feira que está "perto de uma decisão" sobre o novo líder supremo do país.
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Mojtaba é um clérigo de nível intermediário e é uma das figuras mais influentes do establishment clerical iraniano. Ele é conhecido por ter uma postura linha-dura e tem laços estreitos com a elite da Guarda Revolucionária do Irã. Há anos ele é considerado um dos principais candidatos a suceder o pai.
Figura discreta dentro da República Islâmica do Irã, Mojtaba Khamenei não é visto em público desde sábado, quando um bombardeio norte-americano e israelense contra o complexo do líder supremo matou seu pai, de 86 anos. A esposa de Mojtaba, Zahra Haddad Adel, também morreu no ataque. O ataque deu início a uma guerra entre EUA, Israel e Irã (leia mais abaixo).
Nome de filho de Khamenei ganha destaque após ataque aéreo
O nome de Mojtaba Khamenei continua circulando como possível substituto de seu pai — algo que já foi criticado no passado por poder criar uma versão teocrática da antiga monarquia hereditária iraniana.
Agora, com seu pai e sua esposa considerados mártires pelos setores linha-dura na guerra contra os Estados Unidos e Israel, sua posição provavelmente ganhou força entre os clérigos idosos da Assembleia dos Peritos, composta por 88 membros e responsável por escolher o próximo líder supremo.
Quem assumir o posto terá controle sobre um Exército iraniano em guerra e sobre um estoque de urânio altamente enriquecido que poderia ser usado para construir uma arma nuclear — caso decida autorizá-lo.
Khamenei ocupava papel semelhante ao de Ahmad Khomeini, filho do primeiro líder supremo do Irã, Ruhollah Khomeini — “uma combinação de ajudante de ordens, confidente, guardião de acesso e articulador de poder”, segundo o grupo de pressão americano United Against Nuclear Iran.
Nascido em meio à dissidência
Nascido em 1969 na cidade de Mashhad, cerca de 10 anos antes da Revolução Islâmica de 1979, Khamenei cresceu enquanto seu pai fazia oposição ao xá Mohammad Reza Pahlavi.
Uma biografia oficial de Ali Khamenei relata um episódio em que a polícia secreta do xá, a SAVAK, invadiu sua casa e agrediu o clérigo. Depois de acordados, Mojtaba e os demais filhos foram informados de que o pai estava “de férias”.
“Mas eu disse a eles: ‘Não há necessidade de mentir’. Eu disse a verdade”, teria afirmado o Khamenei mais velho.
Após a queda do xá, a família mudou-se para Teerã. Mojtaba lutou na Guerra Irã-Iraque no Batalhão Habib ibn Mazahir, divisão da Guarda Revolucionária paramilitar cujos membros posteriormente ocuparam cargos importantes na inteligência da força — provavelmente com apoio da família Khamenei.
Seu pai tornou-se líder supremo em 1989 — e, a partir de então, Mojtaba e sua família passaram a ter acesso a bilhões de dólares e ativos empresariais espalhados pelas numerosas bonyads (fundações) financiadas por indústrias estatais e riquezas anteriormente pertencentes ao xá.
Guerra EUA e Israel contra o Irã
Os bastidores das ações de Israel contra a produção de armas atômicas no Irã
Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque contra o Irã na manhã de sábado (28), o que deflagrou uma guerra entre os três países. Explosões foram registradas na capital Teerã e em diversas outras cidades iranianas.
Os bombardeios mataram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e outros membros de alto escalão da cúpula militar e de governo iraniano. Ao todo, quase 800 pessoas foram mortas desde o início dos ataques ao país, afirmou a organização humanitária Crescente Vermelho do Irã em atualização nesta segunda-feira (2).
Em resposta aos ataques dos EUA e de Israel, o Irã disparou mísseis contra o território israelense e contra bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Essa troca de ataques continua desde então, com bombardeios diários contra Israel, Irã e países do Golfo.
Os EUA informaram no domingo que seis militares do país foram mortos desde o início da guerra, e Trump prometeu "vingá-los".
"Infelizmente, haverá mais [mortes] antes que [a guerra] acabe. Mas os Estados Unidos vão vingar seus mortos e desferir o golpe mais devastador aos terroristas que travam uma guerra, basicamente, contra a civilização", afirmou o presidente dos EUA no domingo.




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